O alerta no Pacífico subiu para o nível máximo nas últimas horas devido a um surto histórico de ciclones tropicais que está intrigando meteorologistas e mobilizando defesas civis de várias regiões. Atualmente, os furacões Karina e Lowell marcham simultaneamente pelas águas abertas do oceano, registrando intensidades impressionantes alimentadas pelo aquecimento anormal das águas.
Nossa redação do portal acompanha os boletins emitidos em tempo real pelo Centro de Furacões do Pacífico Central (CPHC) e pelo Centro Nacional de Furacões (NHC). Há mais de dez anos o planeta não testemunhava uma atividade tão concentrada e violenta na região. Esse verdadeiro “combo” de tempestades severas impõe uma vigilância rigorosa, especialmente devido à proximidade das rotas de navegação e o potencial de impactos severos em arquipélagos habitados nos próximos dias.
Furacão Lowell atinge a temida Categoria 4 e ameaça o Havaí
Entre os sistemas ativos, o furacão Lowell é atualmente o que desperta maior preocupação e monitoramento por parte dos cientistas. Após passar por um processo geofísico conhecido como intensificação rápida, Lowell flutuou até alcançar a destrutiva Categoria 5 e agora se estabilizou como um poderoso furacão de Categoria 4, ostentando ventos sustentados avassaladores de 240 km/h (150 mph). O sistema de baixa pressão se localiza a algumas centenas de milhas ao sul-sudoeste de Honolulu e exibe uma circulação imensa nas imagens de satélite.
Os modelos de previsão meteorológica indicam que Lowell deve realizar uma curva acentuada em direção ao norte entre hoje e amanhã. Esse novo vetor de deslocamento coloca as ilhas ocidentais do Havaí, em especial Kauaʻi e Niʻihau, na rota direta de suas bandas externas de tempestade. Embora o centro do olho do furacão possa passar raspando pelo oceano aberto, os moradores dessas ilhas já foram orientados a revisar seus kits de emergência para enfrentar ventos com força de tempestade tropical, ressacas marítimas perigosas e inundações causadas pelas fortes chuvas de montanha.
Furacão Karina avança como um monstro de Categoria 3
Paralelamente ao avanço de Lowell, o furacão Karina continua sua jornada em direção ao oeste como um furacão maior de Categoria 3, sustentando ventos de 185 km/h (115 mph). Nos últimos dias, Karina chegou a ostentar a Categoria 4 nas águas profundas do Pacífico Oriental, mas começou a encontrar uma atmosfera ligeiramente mais seca e águas um pouco menos aquecidas, iniciando um lento processo de enfraquecimento natural.
Para a tranquilidade das autoridades continentais, a rota projetada para o furacão Karina aponta que ele permanecerá sobre águas abertas, sem previsão de atingir diretamente nenhuma massa de terra firme. No entanto, o tamanho colossal da sua estrutura gera ondas gigantescas em alto-mar. O Centro Nacional de Furacões emitiu um aviso formal informando que as fortes marés geradas por Karina estão se propagando pelas costas do sudoeste do México e da península da Baixa Califórnia, criando condições de surfe e correntes de retorno que representam risco de morte para banhistas e pequenas embarcações.
O papel do El Niño “Supersaturado” no surto de ciclones
A explicação científica para esse boom simultâneo de furacões — que inclui também um terceiro sistema menor batizado de furacão Marie — está diretamente associada ao comportamento do clima global. A Organização Meteorológica Mundial (WMO) confirmou que as condições atuais do fenômeno El Niño estão se intensificando rapidamente neste segundo semestre, caminhando para quebrar recordes históricos de temperatura da superfície do mar.
O El Niño altera drasticamente os padrões de vento ao redor do globo terrestre. Enquanto ele gera um forte cisalhamento do vento no Oceano Atlântico (o que literalmente “corta” as tempestades antes que virem furacões), ele faz exatamente o oposto no Pacífico. No território pacífico, o fenômeno reduz os ventos hostis e injeta uma quantidade massiva de calor e umidade na atmosfera. Essa combinação cria o ambiente perfeito para que tempestades tropicais comuns ganhem energia de forma explosiva em questão de poucas horas, gerando o impressionante cenário que testemunhamos hoje.
