O mercado financeiro brasileiro vive um dia de forte agitação e otimismo generalizado nesta quinta-feira. Impulsionado pela divulgação de pesquisas de intenção de voto que apontam um cenário muito mais acirrado para a corrida presidencial, o Ibovespa engatou uma sequência de alta firme, enquanto o dólar comercial registrou uma queda expressiva frente ao real. Esse movimento consolida o que os analistas e gestores de fundos apelidaram nos bastidores de “trade eleitoral”, que tem ditado o ritmo das negociações na B3 nas últimas horas.
O principal indicador do mercado de ações do Brasil estendeu os ganhos da véspera, quando já havia disparado mais de 3%, alcançando a marca histórica de 186 mil pontos. A mudança no comportamento dos investidores institucionais reflete diretamente a percepção de uma possível alternância de poder no Palácio do Planalto, o que historicamente costuma readequar os preços dos ativos domésticos e trazer maior apetite ao risco por parte dos fundos estrangeiros.
O impacto das pesquisas e a reação dos investidores
O estopim para essa forte onda de valorização foi o levantamento nacional divulgado pelo instituto Quaest, seguido pela forte expectativa em torno dos números da nova pesquisa Datafolha. Os dados apontam um empate técnico acirrado no cenário de segundo turno entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Essa aproximação numérica foi interpretada por empresários e banqueiros como um sinal claro de que as eleições presidenciais de outubro deste ano estão completamente abertas, reduzindo o prêmio de risco exigido para investir no país.
Além do cenário político fervilhante, os agentes de mercado também digerem dados macroeconômicos importantes. A divulgação do Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor de serviços mostrou resiliência na atividade econômica nacional. Esse indicador caminha em paralelo com os dados recentes do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, que apontaram uma desaceleração gradual e controlada, abrindo um espaço técnico importante para que o Banco Central avalie novos cortes na taxa Selic caso a inflação dê trégua.
Por outro lado, o volume de negócios na B3 segue altamente dependente do fluxo de capital externo. Os investidores estrangeiros, que hoje respondem por cerca de 60% do giro financeiro diário da bolsa brasileira, começam a retornar para os papéis de grandes empresas estatais e do setor financeiro, que estavam operando descontados em relação aos seus pares globais.
Cenário externo e a pressão internacional do petróleo
Apesar do clima festivo no ambiente doméstico, os operadores mantêm um olho atento nos desdobramentos geopolíticos fora do Brasil. No exterior, os mercados operam de forma muito mais cautelosa em meio à escalada militar prolongada no Oriente Médio, com novos conflitos e trocas de ataques entre as forças armadas dos Estados Unidos e do Irã. Essa tensão contínua na região deu sustentação aos preços internacionais do petróleo bruto, o que gera temores globais sobre pressões inflacionárias adicionais e possíveis aumentos de juros por parte do Federal Reserve (Fed).
Para blindar o mercado interno e mitigar os efeitos dessa volatilidade, o governo federal publicou de forma oficial no Diário Oficial da União a prorrogação por mais 60 dias do Imposto de Exportação sobre o petróleo bruto, mantendo a alíquota em 12%. A medida visa garantir a estabilidade na arrecadação tributária e assegurar recursos que possam financiar subsídios aos combustíveis, evitando que o repasse do preço do barril no exterior atinja em cheio o bolso do consumidor final nas bombas dos postos de gasolina.
